HVU recebe filhote de bugio-preto resgatado após atropelamento em rodovia da região

Nesta segunda-feira, 12 de janeiro, o Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube (HVU), recebeu um filhote de bugio-preto (Alouatta caraya), primata nativo do Brasil com ocorrência registrada em Minas Gerais. O animal foi recolhido pela Polícia Militar de Meio Ambiente de Frutal após ser encontrado pela manhã às margens da rodovia AMG-3060, no distrito de Aparecida de Minas, município de Frutal (MG).
De acordo com as informações repassadas pela equipe responsável pelo resgate, a mãe do filhote foi vítima de atropelamento na mesma rodovia. O filhote é macho, com idade estimada entre 30 e 45 dias, e chegou ao HVU apresentando uma pequena lesão na mão direita, caracterizada por ferida superficial de pele, compatível com trauma decorrente do atropelamento e da separação materna.
Durante a avaliação clínica inicial, o animal apresentava-se reativo, com sinais vitais estáveis. A equipe veterinária realizou exame físico completo e avaliação do estado geral, instituindo cuidados de suporte, incluindo higienização e proteção da ferida, além de manejo para controle da dor e do estresse. O caso segue em acompanhamento, com reavaliações seriadas conforme a evolução clínica.
Quem é o bugio-preto?
O bugio-preto (Alouatta caraya) é um primata de médio porte, conhecido pelas vocalizações altas e potentes e pelo comportamento arborícola. Vive em grupos e utiliza as copas das árvores para deslocamento e descanso. A espécie apresenta dimorfismo sexual marcante: machos adultos tendem a apresentar pelagem escura, quase negra, enquanto fêmeas adultas costumam ter coloração castanha a dourada.
Segundo o Sistema SALVE/ICMBio (Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade), ferramenta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, entre as principais ameaças à espécie estão os atropelamentos em rodovias, além de incêndios, doenças e outras pressões antrópicas.

Status de conservação da espécie
Para este caso, é importante diferenciar o status de conservação em nível nacional e estadual:
- Brasil (avaliação nacional – ICMBio/SALVE): Alouatta caraya é classificada como Vulnerável (VU), com categoria atribuída em 27 de setembro de 2019.
- Minas Gerais (lista estadual citada no SALVE): a espécie é considerada Quase Ameaçada (NT).
“Quando dizemos que uma espécie está ‘Quase Ameaçada’, significa que ela ainda não se enquadra oficialmente nas categorias Vulnerável, Em Perigo ou Criticamente Em Perigo, mas já apresenta sinais preocupantes. Trata-se de um alerta técnico, que indica possível declínio populacional, fragmentação do habitat e pressões como atropelamentos, incêndios, doenças, caça e ataques por cães, fatores que podem acelerar a perda de indivíduos e levar a espécie a uma condição mais grave se não houver medidas efetivas de prevenção e proteção”, explica o médico-veterinário responsável pelo Setor de Animais Silvestres do HVU, Cláudio Yudi.
O filhote permanecerá sob cuidados do HVU, com prognóstico favorável até o momento, condicionado à manutenção da estabilidade clínica e à boa evolução da lesão. Assim que estiver clinicamente apto, a previsão é de encaminhamento ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), no município de Patos de Minas, seguindo os fluxos oficiais de triagem e reabilitação de primatas.
Orientação à população
Ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, a orientação é não tentar capturar, alimentar ou medicar o animal. O correto é manter distância segura e acionar imediatamente os órgãos competentes, como a Polícia Militar de Meio Ambiente ou o Corpo de Bombeiros Militar, garantindo a segurança das pessoas e o atendimento adequado à fauna silvestre.
Carolina Oliveira | Universidade do Agro