Janeiro Branco Pet: mês de conscientização sobre saúde mental de cães e gatos

Carolina Oliveira 08.01.2026
 

Janeiro Branco Pet é um convite para olhar com mais atenção para o que nem sempre aparece: a saúde mental de cães e gatos. Estresse, solidão, mudanças de rotina e falta de estímulos podem impactar o comportamento e o bem-estar dos pets, e, muitas vezes, os sinais são confundidos com teimosia ou manha. Ao longo do mês, a campanha reforça a importância do cuidado preventivo e da orientação do médico-veterinário para identificar causas, orientar manejos e garantir uma vida mais equilibrada e saudável aos animais.

Para aprofundar o tema, a médica-veterinária e aprimoranda em Clínica Médica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário da Uniube (HVU), Gabriela Borges Gauy, explica quais são os fatores que mais afetam o equilíbrio emocional de cães e gatos, quais sinais merecem atenção e que cuidados simples — mas essenciais — podem ser adotados no dia a dia para promover mais bem-estar e qualidade de vida aos animais.

Quais são os sinais de estresse, ansiedade ou sofrimento emocional em cães e gatos?

Gabriela Gauy: Assim como nós, cães e gatos também podem sentir ansiedade, medo e estresse. Muitas vezes, esses sinais aparecem por meio de mudanças de comportamento. Em alguns casos, o animal pode apresentar falta ou excesso de apetite, latir ou miar em excesso, se esconder ou demonstrar agitação intensa, urinar e defecar fora do local habitual e até mesmo se lamber compulsivamente.

Mudanças de rotina podem impactar a saúde mental?

Gabriela Gauy: Sim. Viagens, mudança de casa, chegada de um bebê ou de outro pet quebram a rotina e podem gerar insegurança. Os animais gostam de previsibilidade, e mudanças bruscas costumam provocar estresse e ansiedade.

Como o ambiente influencia o comportamento?

Gabriela Gauy: Barulho excessivo, espaço reduzido, solidão e falta de estímulos podem deixar o pet mais tenso, entediado ou frustrado.

Quais comportamentos indicam tédio ou frustração?

Gabriela Gauy: Destruição de objetos, vocalização excessiva, urinar e defecar fora do local habitual, tentativas de fuga e agressividade podem ser sinais de alerta.

A falta de socialização pode causar problemas emocionais? Em quais fases isso é mais crítico?

Gabriela Gauy: Sim. A falta de socialização pode gerar medo, insegurança e agressividade. Os primeiros meses de vida são os mais importantes, mas esse processo pode ser trabalhado em qualquer idade.

Dor e doenças podem se manifestar como alterações comportamentais?

Gabriela Gauy: Com certeza. A dor pode causar agressividade, apatia e isolamento. Toda mudança comportamental deve ser avaliada por um médico-veterinário.

Quais hábitos simples ajudam a reduzir a ansiedade no dia a dia?

Gabriela Gauy: Manter uma rotina, oferecer brincadeiras, passeios, descanso adequado e interações positivas ajuda a reduzir a ansiedade.

Como montar um “enriquecimento ambiental” básico para cães e gatos?

Gabriela Gauy: A proposta é tornar o dia do pet mais interessante. Brinquedos, caça ao alimento, treinos, arranhadores, prateleiras e esconderijos estimulam corpo e mente.

Qual a importância de rotina, previsibilidade e horários?

Gabriela Gauy: A rotina traz previsibilidade e, consequentemente, segurança. O pet entende quando é hora de comer, passear e dormir, organizando melhor o próprio dia.

Passeio é só exercício ou também saúde mental? O que é um passeio de qualidade?

Gabriela Gauy: Passeio não é apenas exercício físico: também é saúde mental — e geralmente é o momento mais esperado do dia. Um passeio de qualidade permite cheirar, explorar e observar o ambiente no ritmo do animal.

Brinquedos, cheiros, caça simulada e treinos de comandos ajudam mesmo? Por quê?

Gabriela Gauy: Sim. Essas atividades estimulam o cérebro, reduzem o estresse e fortalecem o vínculo entre o pet e o tutor.

O que os tutores devem evitar para não piorar o estresse?

Gabriela Gauy: Evite gritos, punições e castigos. Essas atitudes aumentam a ansiedade e podem agravar o comportamento.

Quando o tutor deve procurar um médico-veterinário por causa de comportamento?

Gabriela Gauy: Sempre que houver uma mudança persistente, intensa ou sem causa aparente.

Como diferenciar “manha” de um problema real de saúde ou de ansiedade?

Gabriela Gauy: A “manha” costuma ser passageira. Já um problema real tende a persistir e impactar a rotina. Na dúvida, a orientação é investigar.

Em quais casos o veterinário pode indicar acompanhamento com especialista em comportamento ou adestrador?

Gabriela Gauy:Em situações como ansiedade intensa, agressividade, fobias ou comportamentos repetitivos.

Quais sinais são “alerta vermelho” e exigem atendimento rápido?

Gabriela Gauy: Agressividade súbita, automutilação, apatia intensa, recusa alimentar e vocalização por dor ou medo são sinais que exigem atendimento imediato.

Carolina Oliveira | Universidade do Agro

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