Dicas de Especialista: principais cuidados com os pets durante o Carnaval

Carolina Oliveira 13.02.2026
 O Carnaval é sinônimo de festa e diversão, mas, para os pets, pode representar uma série de desafios, como barulho excessivo, aglomerações e altas temperaturas. Nesse período, a mudança na rotina e a exposição a estímulos intensos podem comprometer o bem-estar dos animais. Para garantir a segurança e a saúde dos cães e gatos, é fundamental que os tutores adotem cuidados específicos, desde a escolha de ambientes adequados até a atenção redobrada com hidratação, alimentação e possíveis sinais de estresse.

Se você pretende incluir seu pet na folia ou precisa deixá-lo sob cuidados durante a viagem, confira as dicas da médica-veterinária, Alice Cristina Maciel, especialista em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais e preceptora do setor de clínica cirúrgica do Hospital Veterinário da Uniube (HVU).

Como a alteração da rotina durante o Carnaval pode impactar o bem-estar dos pets? Quais sinais de estresse os tutores devem observar nesse período?

Alice Cristina: Durante o Carnaval, a mudança na rotina da casa pode impactar diretamente o bem-estar de cães e gatos. Eles são animais que dependem de previsibilidade, e alterações como visitas frequentes, barulho constante, ausência dos tutores e horários irregulares de passeio e alimentação podem causar ansiedade, medo, estresse, alterações de comportamento e até queda da imunidade. Os gatos, por serem mais territorialistas, costumam sentir ainda mais essas mudanças. Os tutores devem ficar atentos a sinais como tremores, respiração ofegante sem esforço físico, esconder-se mais do que o normal, agressividade repentina, vocalização excessiva, diarreia, vômito, perda de apetite e lambedura excessiva das patas.

Quais alimentos e bebidas típicos do Carnaval são perigosos para cães e gatos? Oferecer comida fora da dieta pode causar quais problemas de saúde?

Alice Cristina: A alimentação também exige atenção redobrada nesse período. Muitos alimentos típicos de festas são perigosos para os pets, como chocolate (que pode causar intoxicação grave), uvas e uvas-passas (associadas à insuficiência renal), cebola e alho (que afetam as células do sangue), frituras e alimentos muito gordurosos (que podem levar à pancreatite), doces com xilitol (que provocam queda brusca da glicose) e bebidas alcoólicas (que causam intoxicação neurológica). Mesmo quando o alimento não é tóxico, oferecer comida fora da dieta habitual pode desencadear vômitos, diarreia, dor abdominal, pancreatite e descompensação de doenças preexistentes.

Quais cuidados são essenciais antes de viajar com pets no Carnaval? Quando é melhor levar o animal na viagem e quando o ideal é deixá-lo com um cuidador?

Alice Cristina: Para quem vai viajar, alguns cuidados são essenciais: manter vacinas, vermifugação e controle de pulgas e carrapatos em dia; utilizar caixa de transporte adequada; oferecer água fresca; fazer paradas em viagens longas; e levar a ração habitual, além de objetos que tenham o cheiro de casa para dar segurança ao animal. Levar o pet na viagem é mais indicado quando o destino é tranquilo, pet friendly e sem agitação. Já em situações com festas, som alto, muitas pessoas, fogos ou calor excessivo, o mais seguro é deixá-lo com um cuidador de confiança. Os gatos, especialmente, costumam sofrer mais com deslocamentos do que quando permanecem em casa com acompanhamento.

É recomendado levar pets para locais com muita aglomeração e barulho? Quais cuidados ajudam a proteger os animais do calor e da superestimulação?

Alice Cristina: Ambientes festivos com aglomeração e barulho não são recomendados para os pets. Música alta, gritos e multidões podem causar medo intenso, fugas, acidentes, crises de pânico e até hipertermia. Para protegê-los do calor e da superestimulação, é importante garantir água fresca sempre disponível, evitar passeios nos horários mais quentes do dia, manter o ambiente silencioso e arejado e oferecer um “cantinho seguro” com caminha e brinquedos. O enriquecimento ambiental também ajuda a distrair e reduzir o estresse.

O que fazer se o pet ingerir um alimento tóxico durante o feriado? Em quais situações o tutor deve procurar atendimento veterinário imediato?

Alice Cristina: Em caso de ingestão de alimento tóxico, o tutor não deve esperar o aparecimento de sintomas nem medicar o animal por conta própria. O ideal é procurar um médico-veterinário imediatamente e, se possível, informar o que foi ingerido e em que quantidade. O atendimento veterinário deve ser buscado com urgência em situações como convulsões, desmaios, vômitos ou diarreia intensos, presença de sangue nas fezes ou no vômito, dificuldade para respirar, fraqueza extrema ou suspeita de ingestão de substância tóxica.

Carolina Oliveira | Universidade do Agro

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