Gato-mourisco gestante resgatado na MG-255 recebe atendimento no HVU e permanece em observação até o parto
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No HVU, a paciente foi avaliada por uma equipe composta por médicos-veterinários, aprimorandos, preceptores e alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade do Agro. Os primeiros exames identificaram prenhez em estágio avançado, com três filhotes. Apesar do histórico sugerir possível atropelamento, até o momento não foram constatadas fraturas ou lesões traumáticas aparentes.
Após a admissão, o animal foi mantido em isolamento e segue sob observação clínica contínua. Neste momento, a principal conduta adotada é o monitoramento da gestação, com foco na redução do estresse e na manutenção da estabilidade materna e fetal. Em razão da proximidade do parto, o transporte para outra unidade foi temporariamente suspenso.
De acordo com a equipe responsável, a fêmea deverá permanecer no HVU até a ocorrência do parto. Somente após esse período e nova reavaliação clínica será definido o encaminhamento ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) de Patos de Minas, seguindo o fluxo oficial de triagem, recuperação e destinação da fauna silvestre.
O caso chama atenção não apenas pela condição clínica da paciente, mas também pela situação de conservação da espécie. O gato-mourisco, também conhecido como jaguarundi, integra a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção na categoria Vulnerável (VU), conforme a Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022.
Esse enquadramento reforça a necessidade de resposta rápida e tecnicamente qualificada sempre que indivíduos da espécie forem encontrados feridos, em risco ou expostos a situações de impacto humano.
“O gato-mourisco é um felino silvestre discreto e de difícil visualização, mas importante para o equilíbrio ecológico. Quando uma espécie classificada como Vulnerável chega ao HVU, ainda mais em fase final de gestação, nossa responsabilidade é ainda maior. Além do cuidado clínico, esse atendimento também alerta para um problema crescente: o impacto das rodovias e da pressão humana sobre a fauna brasileira”, afirma o professor Cláudio Yudi.