Novembro Azul Pet: mês de conscientização sobre as doenças prostáticas

Carolina Oliveira 03.11.2026
O Novembro Azul Pet é uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde dos animais machos, com foco na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento das doenças prostáticas. A iniciativa reforça a importância das consultas veterinárias periódicas, da observação de possíveis sinais de alerta e da castração responsável, contribuindo para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos animais.

O médico-veterinário, residente em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais no Hospital Veterinário da Uniube (HVU), Juan Nóbrega, esclarece as principais dúvidas sobre as doenças prostáticas em cães, abordando os fatores de risco, os sinais clínicos, os métodos de diagnóstico, as possibilidades de tratamento e as medidas preventivas.

O que é a campanha Novembro Azul Pet e por que ela é importante para a saúde dos animais?

Juan Nóbrega: O Novembro Azul Pet é uma campanha de conscientização sobre a saúde dos animais machos, especialmente em relação à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento das doenças prostáticas. Também é uma oportunidade para falar sobre a importância da castração responsável e das consultas veterinárias periódicas.

A campanha é importante porque muitas alterações prostáticas estão associadas ao envelhecimento e à influência hormonal, principalmente em cães machos não castrados. Além disso, algumas doenças podem evoluir de maneira silenciosa, sem sinais clínicos evidentes nas fases iniciais.

O objetivo é incentivar os tutores a observar mudanças no comportamento e nas funções urinária e intestinal dos animais, além de procurar atendimento veterinário regularmente. Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as possibilidades de estabelecer um diagnóstico adequado e instituir o tratamento indicado.

Quais são as principais doenças da próstata que podem afetar os cães machos?

Juan Nóbrega: As principais afecções prostáticas em cães incluem:

  • Hiperplasia prostática benigna (HPB): aumento não neoplásico da próstata, relacionado à influência dos hormônios sexuais. É muito comum em cães machos inteiros, especialmente com o avanço da idade.

  • Prostatite: inflamação da próstata, frequentemente associada a infecções bacterianas. Pode apresentar evolução aguda ou crônica.

  • Cistos prostáticos e paraprostáticos: estruturas preenchidas por líquido que podem variar em tamanho e provocar a compressão de órgãos adjacentes.

  • Abscessos prostáticos: acúmulos de material purulento na próstata, geralmente associados a infecções e que podem causar comprometimento sistêmico importante.

  • Neoplasias prostáticas: tumores que podem apresentar comportamento agressivo. O carcinoma prostático é uma das possibilidades, embora seja menos frequente que a hiperplasia benigna.

É importante destacar que o aumento da próstata não significa necessariamente câncer. Diferentes doenças podem produzir alterações semelhantes. Por isso, o diagnóstico deve ser baseado na avaliação clínica e nos exames complementares.

Quais sinais os tutores devem observar para suspeitar de alterações na próstata?

Juan Nóbrega: Os sinais podem variar conforme a doença e o estágio de evolução. Entre os principais, podemos destacar:

  • Alterações urinárias: dificuldade ou dor para urinar, aumento da frequência urinária, presença de sangue na urina ou infecções urinárias recorrentes.

  • Alterações intestinais: esforço excessivo para defecar, constipação ou fezes com formato mais achatado, em decorrência da compressão do reto por uma próstata aumentada.

  • Alterações reprodutivas: presença de sangue no sêmen, secreção sanguinolenta pelo prepúcio e redução da fertilidade.

  • Sinais sistêmicos: febre, apatia, perda de apetite, desconforto abdominal e perda de peso.

  • Alterações locomotoras: dificuldade para caminhar ou dor nas regiões pélvica e lombar, especialmente em casos de doença avançada, como algumas neoplasias.

Um ponto importante é que esses sinais não são exclusivos das doenças prostáticas. Alterações urinárias, por exemplo, também podem ocorrer em doenças da bexiga e da uretra. Por isso, a avaliação veterinária é indispensável para identificar a origem do problema.

Essas doenças podem se desenvolver sem apresentar sintomas?

Juan Nóbrega: Sim. Essa é uma das principais dificuldades no diagnóstico das doenças prostáticas.

A hiperplasia prostática benigna, por exemplo, pode evoluir durante bastante tempo sem manifestações clínicas evidentes. Em alguns casos, o aumento da próstata é identificado apenas durante um exame de rotina ou uma avaliação ultrassonográfica realizada por outro motivo.

A prostatite crônica também pode apresentar poucos sinais, sendo descoberta durante a investigação de infecções urinárias recorrentes. Já as neoplasias podem apresentar manifestações inespecíficas, que muitas vezes são percebidas apenas quando a doença está mais avançada.

Por isso, não devemos esperar que o animal apresente dificuldade para urinar, dor ou alterações nas fezes para procurar atendimento. A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de doença. Consultas periódicas são especialmente importantes para cães machos idosos e não castrados.

Como é feito o diagnóstico das doenças prostáticas e quais exames podem ser necessários?

Juan Nóbrega: O diagnóstico começa com a consulta veterinária, na qual o profissional investiga o histórico do animal, seus hábitos urinários e intestinais, seu estado reprodutivo e a presença de possíveis alterações clínicas.

A partir dessa avaliação, podem ser indicados diferentes exames:

  • Exame físico e palpação retal: permitem avaliar o tamanho, a consistência, a simetria e a sensibilidade da próstata.

  • Ultrassonografia abdominal: é um dos principais exames para avaliar as dimensões, a arquitetura e a ecogenicidade da próstata, além de identificar cistos e alterações sugestivas de inflamação ou neoplasia.

  • Exames de urina e urocultura: ajudam a identificar alterações urinárias e possíveis infecções bacterianas.

  • Hemograma e exames bioquímicos: auxiliam na avaliação do estado geral do paciente e na investigação de processos inflamatórios, infecciosos ou de repercussões sistêmicas.

  • Análise do líquido prostático: a citologia e a cultura podem auxiliar na investigação de prostatites e outras alterações.

  • Biópsia e exame histopatológico: podem ser necessários para caracterizar determinadas lesões e confirmar uma suspeita de neoplasia.

Radiografias também podem ser úteis em situações específicas, principalmente para avaliar alterações associadas ao aumento da próstata ou investigar possíveis comprometimentos ósseos.

É importante ressaltar que nenhum exame deve ser interpretado isoladamente. A escolha dos métodos diagnósticos depende das suspeitas clínicas, e nem todo paciente precisa realizar todos esses procedimentos.

Qual é o papel da castração na prevenção e no tratamento das doenças da próstata?

Juan Nóbrega: A castração tem um papel muito importante, principalmente na prevenção e no tratamento da hiperplasia prostática benigna, pois reduz a produção testicular de hormônios que estimulam o crescimento da próstata.

Em cães com hiperplasia prostática benigna, a castração é considerada o tratamento de escolha quando não há interesse reprodutivo. Após o procedimento, a próstata tende a diminuir progressivamente de tamanho, reduzindo os efeitos associados ao seu aumento.

Nos casos de prostatite, cistos e abscessos, a castração também pode fazer parte da abordagem terapêutica, conforme a condição clínica e a indicação veterinária. Entretanto, essas doenças podem exigir tratamento adicional, como antibioticoterapia direcionada, drenagem ou cirurgia.

É fundamental esclarecer que a castração não previne todas as doenças prostáticas. Algumas neoplasias podem ocorrer mesmo em animais castrados, e determinados tumores prostáticos não dependem diretamente dos hormônios testiculares. Portanto, o procedimento reduz significativamente o risco de algumas afecções, mas não elimina a necessidade de acompanhamento veterinário.

Quais cuidados e medidas preventivas os tutores devem adotar para preservar a saúde dos animais machos?

Juan Nóbrega: O principal cuidado é manter o acompanhamento veterinário periódico, mesmo quando o animal aparenta estar saudável. Durante as consultas, o profissional pode avaliar o estado geral do paciente, identificar fatores de risco e indicar exames de acordo com a idade e o histórico clínico.

Além disso, algumas medidas são fundamentais:

  • Conversar com o veterinário sobre a castração: avaliar o melhor momento e os benefícios do procedimento de acordo com a idade, a saúde e os objetivos reprodutivos do animal.

  • Observar mudanças na rotina: prestar atenção a dificuldades para urinar ou defecar, sangue na urina, secreções anormais, perda de apetite e alterações de comportamento.

  • Manter alimentação equilibrada e peso adequado: esses cuidados contribuem para a saúde geral e a qualidade de vida, embora não impeçam diretamente todas as doenças prostáticas.

  • Não administrar medicamentos por conta própria: antibióticos, anti-inflamatórios e outros medicamentos devem ser utilizados somente com orientação veterinária.

  • Investigar alterações recorrentes: infecções urinárias repetidas e mudanças persistentes nos hábitos de eliminação merecem atenção, especialmente em cães machos idosos e não castrados.

  • Realizar exames quando indicados: a ultrassonografia e outros exames complementares podem ser necessários mesmo quando os sinais clínicos são discretos.

Qual mensagem a campanha Novembro Azul Pet transmite aos tutores?

Juan Nóbrega: A mensagem principal é que cuidar da saúde do animal vai muito além de procurar atendimento quando ele adoece. A prevenção, a observação diária e o diagnóstico precoce são fundamentais para preservar sua qualidade de vida.

Uma mensagem para encerrar seria: “Assim como em outras áreas da medicina veterinária, a informação é uma grande aliada da prevenção. O tutor conhece a rotina do seu animal e, muitas vezes, é o primeiro a perceber que algo mudou. Ao identificar qualquer alteração e procurar orientação veterinária, ele contribui diretamente para que o diagnóstico seja feito no momento adequado e para que o animal receba o tratamento mais indicado”.

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